Adivinha

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Num País pobre da Europa vive um Borrego
Possui grande barriga e a mania que é Vivaço
Está numa linda terra, cheia de flores, o Labrego
As obscenidades, fazem-no o maior Palhaço

Neste país pequeno, ele é Fascista
E pensa que o povo é Ignorante
Vai de manobra, para Golpista
E ainda para todos nós é Arrogante

Eu cá não sou de intrigas mas…

Há muitos anos, quando era puto e andava de calções, a minha mãezinha aconselhou-me mais do que uma vez a evitar grandes conversas com a porteira do prédio onde vivia.

A razão prendia-se com a famas das porteiras de trabalharem pouco e passarem o tempo a “cortar na casaca” de cada um.  Os vicios e defeitos de cada um eram expostos em conversas na mercearia que se iniciavam sempre como “Eu cá não sou de intrigas mas…”.

Nestes foruns de discussão a sabedoria da porteira era sempre reconhecida uma vez que se movia bem nos meandros dos prédios, falava com as empregadas, ouvia os desabafos das senhoras ou escutava “inadvertidamente” as conversas (“Eu não queria ouvir mas…”). Normalmente a sua sabedoria era secundada e confirmada por outras pessoas que não tendo o que fazer agitavam as cortinas das casas ao mais leve movimento.

Eram normalmente fieis aos dótores que lhes calhavam em sorte e exaltavam-lhes as virtudes ao mesmo tempo que à boca pequena não deixavam escapar as suas fraquezas (os/as meninas, as putas, o binho, o jogo, as prepotencias). Mas sendo quem era, tudo se desculpava, até porque “é um homem muito inteligente”.

Num encontro de mercearia degladiavam-se na divulgação de informação, numa espécie de torneio de má lingua em que quanto mais nauseabunda fosse a descoberta maior era o estatuto atingido.

Por outro lado o seu estatuto subia também por osmose quanto maior fosse o número de Dons e Donas que habitavam o prédio (“Fulana trabalha no prédio de Fulano e Sicrano”).

Ora os tempos mudaram.

Já não se encontram pessoas para estes lugares e os condomínios, a maior parte das vezes, prefere alugar os apartamentos destinados a estes funcionários, poupando assim nos custos e baixando a despesa com o condomínio.

Mas a função manteve-se e especializou-se. Ao contrário de antigamente, os novos profissionais já não têm nomes que não lembram ao menino Jesus e alguns até têm apelidos sonantes. Existe mais igualdade na profissão, sendo agora também aceites homens.

Lembrando os avisados conselhos de minha mãe, raramente leio jornais e evito ver telejornais. Estou farto de ver porteiras a entrarem-me pela casa dentro.

Octopussy

Octopussy?

Que será?

Uma gaja com oito pussies?

Um gajo já se desfaz com uma pussy, quanto mais com oito!

Oito gatinhos?

Passo.

‘Polvo’ mal grafado?

Certo! Hoje fui a um dos meus recantos favoritos deste mundo. Tomámos banho pelados, os seis. Fotografei todo o tipo de fauna marítima: anémonas, ouriços, peixes, camarões… até que apareceu um polvo. No paraíso é proibido apanhar o que quer que seja, fauna ou flora: seja em caça submarina, à pesca, com rede ou à mão… Apanhar para levar para casa, para matar e comer, bem entendido. Então apanhei o polvo à mão para os meus putos verem, sentirem e também para fazer umas fotos, que hei-de colocar na net depois de revelar os rolos (sorry, no digital camera yet, tenho que comprar uma merda dessas um dia, quando forem boas). Depois larguei-o de novo no mar.

Octopussy? O Inglês é realmente traiçoeiro. E se for uma inglesa (uma real pussier) ainda mais.

Cagar ouro

Em 1996, quando estive pela primeira vez no Japão, entrei num restaurante ao acaso na cidade de Atami, e serviram-me um prato confeccionado com pedacinhos de folhas de ouro.

Apesar das folhas serem finíssimas, muito pouco daquele ouro terá sido absorvido pelos intestinos.

No dia seguinte, pela manhã, depositei na sanita o meu cagalhão mais dourado de sempre!

Moreia Frita 2

Nunca comi tanta moreia frita como hoje. Depois de ter estado na praia das medusas, que é uma praia onde um gajo passa a vida a levar choques eléctricos das medusas que pululam dentro de água, e onde os peixes andam à tona de água a respirar ar puro, rumei a um restaurante que anunciava: “Há moreia, Há caldeirada”. Pensei: “Moreia para mim e para a Maria e caldeirada para os putos. Os putos não gostam de peixe e portanto, com a ajuda de mais um litro de tinto, acabo com a caldeirada”.

O dito restaurante fica entre o Barão de S. Miguel e o Barão de S. João, a pouco mais de 1Km, para quem vem de Sul.

Cheguei lá, estacionei no parque para clientes, onde só cabe um carro e o dono veio à porta dizer que estávamos enganados. “Há moreia, mas não sirvo. Há caldeirada, mas só de encomenda, e só ao jantar.” Fez-me lembrar aquele gajo que vendia seguros de vida que só cobriam o acidente que ocorresse a descer o Pão de Açúcar (no Rio de Janeiro) de patinete (skate – tradução para os putos neteiros ou netinhos).
Bem… só faltou mandar o gajo para o caralho… Se não serve porque é que anuncia? Um dia passo lá de caterpiler e rebento-lhe o anúncio que o gajo tem na estrada.

O caterpiler não apareceu aqui por acaso. É que, depois de almoçar moreia até dizer “á êga“, um pouco mais a sudoeste, fui à praia dos Mouranitos ver uns rabos e umas mamas e estava lá um gajo de caterpiler. Aquilo é uma praia de acesso difícil, o gajo não tinha carro para aquilo e foi de caterpiler!

Depois de uns belos banhos e de umas belas fotos, que um dia serão publicadas neste sítio, depois de me ter assustado com as ondas e de ter até largado a prancha no meio do mar, rumámos a Leste. À passagem na casa de um velho amigo em Vale de Boi, avistámos o gajo de cuecas lá fora a apanhar os últimos raios de sol de um dia maravilhoso. Fizémos o desvio para cumprimentá-lo e acabámos por ficar e jantar moreia acompanhada de uma zurrapa da zona, compensada no fim por uma bela destilada de medronho. A moreia era tanta que deixei o rabo. Sacrilégio!

Hoje foi o terceiro dia na minha vida em que fumei dois charutos. Mas o que é isso comparado com o Freud que fumava 20 charutos por dia?

Moreia frita

Íamos no carro a jogar aos animais. Tinha saído a letra M. Era a vez da Júlia e eu disse-lhe: “Aquele peixe que vamos agora comer frito”. E ela não se lembrou. Continuei: “Aquele que costumamos ir comer a Vila do Bispo onde vocês comem pizza”. “Moreia”, gritou ela.

E seguimos para a Zambujeira do Mar.

Pois é. Ontem fomos jantar moreia frita à Zambujeira do Mar. É um petisco fabuloso. Vale bem as centenas de quilómetros da viagem. Mas não é a única. Há muitas outras coisas que justificam as centenas ou os milhares de quilómetros do percurso: o bacalhau com broa em Seia, as entradas do Paraíso em Lousada, a djagacida na ilha Brava, o concon com fruta-pão em S. Tomé, o café moka… em Roma e os pickles de gengibre… em Osaka.

Just for the record

No fim de Agosto de 1988 estava em Genève, by the lake. Tinha ido para a Suíça (Kiental/Bern) estudar medicinas naturais e culinária.

Depois de roer duas maçarocas de milho cozido, entrei na Maison Davidoff e pedi um maço de cigarros. Custavam 600$ naquela altura. Em Paris custavam 1000$. Mais valia ter comprado uma caixa de charutos!

Desci a uma cave de venda de CDs. Todos os álbuns com mais de 2 anos custavam metade ou um terço do preço normal. Sempre foi assim no resto da Europa e nos EUA, mas em Portugal, país mesquinho e sem dinheiro, essa moda nunca pegou.

Comprei bastantes CDs, mas neste momento só me lembro do Bodies and Souls do Joe Jackson (um disco com uma capa igual à do Vol. 2 do Sonny Rollins, imprescindível, editado pela Blue Note) e do Superman da Barbra Streisand.

O meu irmão é um fã incondicional da Barbra. Tem mais de 300 CDs dela. Ainda hoje me pede para eu lhe dar esta 1ª edição do Superman, uma raridade no mercado de trocas e leilões do eBay. Embora as minhas preferências sejam o Jazz e a música contemporânea, de preferência aquela que mais ninguém consegue ouvir, por parecer dissonante e desconfortável, assim como os poemas do maior poeta da história da música, Peter Hammill (algo entre o Nitzsche e o Sartre, mas mais realista e positivo), que é tão difícil de ler como a música contemporânea é de ouvir,… apesar disso, há mais alguns pormenores no mundo musical que me fazem vibrar: os sons graves, barítonos e baixos, do sax tenor e do violoncelo. E esse disco da Barbra tem uma interpretação fabulosa de um tema do Billy Joel “New York State of Mind”, com sax (alto, não tenor, mas OK). O tema que dá nome ao álbum, Superman, é um hino à vox humana, com variações do Soprano ao Barítono (mais que isso só o PH, que consegue ir do Soprano ao Baixo).

Braga

“Once I had a secret life…” – É o fim do tema “Me and Mrs. Jones” da Sarah Jane-Morris.

Vocês não vão à procura dele… são uns preguiçosos… que se lixe, também não sou eu que vos vou arrastar com uma corda atrás de mim.
Voltando ao assunto: quando eu andava a namorar uma miúda em Braga, atirei-me para dentro da fonte do Bom Jesus para a impressionar… a ela e às amigas.

Fica aqui o registo

(Eu fotografado pela Ana, photoshopado por mim)