Loiça das Caldas

Abril de 1975.

12 anos de idade.

Poucos dias depois de 2 caças amarelos a hélices, terem passado a rasar a minha cabeça, no Seminário de Almada(1), a caminho de Lisboa, no 11 de Março, fomos em excursão até às Caldas da Rainha.

Lembro-me de pouca coisa dessa excursão:

Comprei um alfinte de peito, em loiça, característico da região, que ofereci à minha mãe e que muitos anos mais tarde, surpreendentmente, fui encontrar no fundo de uma gaveta do quarto dela. Ainda lá deve estar: os pais são uns bichos incompreensivelmente amorosos.

Quando, à volta, passámos em Vila Franca de Xira, meti conversa com uma miúda para lhe dizer que aquela ponte que se via da estrada era a ponte dos rótulos das garrafas de azeite: nunca tive jeito para engatar gajas.

Eu não conhecia ninguém que tinha ido na excursão. Eu era de uma turma da manhã e a excursão tinha sido organizada por uma turma da tarde. Mas havia uma probabilidade enorme de ir também uma miúda fantástica, com uns cabelos pretos escorridos e de pele morena, tal e qual a Yvonne Elliman por quem eu, e meio Portugal, andava cegamente apaixonado… E, por isso, fui.

Quase a chegar a Lisboa, levei com uma caneca das Caldas na cabeça, vinda do banco do fundo, do grupo da Yvonne. Ela veio sentar-se ao meu lado, fez-me festas na cabeça e puxou-me para dançar quando o Santana começou a tocar o Samba Pa Ti. Foi tudo tão fantástico, um êxtase tão grande – ultrapassou o dos três pastorinhos juntos – que me deixou sem resposta.

Éramos os hippies da altura… Com 12 anos…

Será que alguma vez mais a vou ver?

Desse tempo, quase nunca mais vi ninguém. Uma ou outra vez a mulher do Tim, dos Xutos e Pontapés e uma ex-namorada do Cacilhas.

(1) No pós-revolução, até os padres ajudaram os governos que se sucediam e emprestaram 8 salas do Seminário ao Liceu de Almada durante um ano, e foi assim que fui lá parar.

Maria Madalena II

Quanto mais oiço a Yvonne Elliman a cantar o Jesus Christ Superstar, mais me apetece criar um palco do JCS no Second Life e ir para lá viver… com ela.

Como diz o meu amigo Valter, que não viveu essa época fabulosa do cinema e da vida, esse é um tempo que nunca mais se vai repetir. Não sei onde é que ele ouviu isso. Talvez tenha sido o nosso amigo, e grande pensador, José Bragança de Miranda, ou o João Benard da Costa, sei lá. Mas o facto é que ele tem razão: aquela ingenuidade, aquela forma de apresentar a vida de Cristo filtrada por 10 anos de movimento hippie, não é vendável hoje como filme ou projecto comercial.

O que vende agora são as americanadas como o Cristo do Scorsese ou o hiper-realismo do Mel Gibson.


Zé Bragança de Miranda no casamento do Manel. Foto by myself.

This is pure black and white. No fake.

Mamalhudas 16 – A Gaja

A Gaja apareceu, mas como estava frio na rua, trazia um casaco de peles apertado até às orelhas.

Quando entrou, despiu o casaco e ficou pelada…. Bem, quase pelada. As mamas dela estão cada vez maiores, como eu previra há umas semanas atrás. Crescem de dia para dia: a olhos vistos. (Um dia destes estão tão grandes que os meus olhos deixam de as conseguir ver, de as conseguir abarcar no ângulo de visão.)

Mas ela não se contentou em estar quase nua à minha frente: ainda se veio debruçar na mesa à minha frente a fazer perguntas sem sentido… e depois fazia umas pausas e olhava para o tecto, à espera que eu me babasse em cima das mamas dela.

“Mais uns minutos e sacava a máquina, mandava-a ficar quieta, e fotografava-lhe aquele par de melões… de abóboras de Rio Maior.”

“Não faças isso”, disse-me o Mano Rei, “que ainda te fodes”.

Mas vou fazê-lo. E vai ser na próxima oportunidade. Eu sou como aquele gajo do “Unforgiven” que tem 4 ou 5 espingardas apontadas para ele e sai da cidade enquanto diz:

All right, I’m coming out. Any man I see out there, I’m gonna shoot him. Any sumbitch takes a shot at me, I’m not only gonna kill him, but I’m gonna kill his wife, all his friends, and burn his damn house down.”

Não me vou lixar só porque fotografo um par de tetas tão grande que parecem Fobos e Deimos em torno da minha cabeça.

Prometo…

Solenemente…

Que coloco aqui as mamas dela…

Se couberem, claro!

dos emailes: Compreender as mulheres

Um homem caminhava pela praia de Cascais e tropeçou numa velha lâmpada.Pegou nela, esfregou-a e… um génio saltou lá de dentro, que disse:

– “O.K! Libertaste-me da lâmpada, blá, blá, blá! Esquece aquela história dos 3 desejos! Tens direito a 1 desejo apenas e ponto final!”

O homem disse:

– “Eu sempre quis ir à Ilha da Madeira, mas tenho um medo enorme de voar… e no mar costumo ficar enjoado. Podes construir uma ponte até à Madeira, para eu poder ir de carro?”

O génio riu muito e disse:

– “Impossível. Pensa na logística do assunto. Como é que os pilares chegavam ao fundo do Oceano Atlântico? Pensa em quanto betão armado, em quanto aço, em quanta mão-de-obra… Não, de maneira nenhuma!

Pensa noutro desejo…”

O homem compreendeu e tentou pensar num desejo realmente possível.

– “Fui casado e divorciado 4 vezes. As minhas mulheres disseram sempre que eu não me importava com elas e que era um insensível. Então, é meu desejo compreender as mulheres; saber como se sentem por dentro e o que estão a pensar quando não falam connosco; saber porque estão a chorar…

Saber realmente o que querem quando não dizem nada… saber como fazê-las realmente felizes!”

O génio respondeu:

– “Queres a merda da ponte com três ou quatro faixas?”

Ok. É velha e gasta. Mas sempre actual…

O Pernadas

Era eu gaiato de 3 anos, houve um sururu no prédio, sem esquerdos nem direitos, só um fogo por piso, que era ali para os lados de Sta. Apolónia, com jardim e garagens.
Os vizinhos do terceiro tinham um filho da minha idade, de quem eu não gostava, e com quem andava sempre à bulha.
O pai era um figurão importante nem sei onde. O que interessa para esta história é que tinha direito a carro com motorista, motorista esse que se chamava Pernadas.
Ao que eu entendi, pelos comentários àcerca dela, a do terceiro, que sibilaram entre as outras, nessa manhã voltou o Pernadas de conduzir o figurão, colocou o carro frente à garagem, e vá de lhe dar banho.
Assoma a do terceiro à janela e pergunta cá para baixo: “Oh Pernadas, onde é que você dá banho ao seu piriquito?”.
Responde ele, sic, que eu ouvi com estes que a terra há de comer: “Na banheira, minha senhora, na banheira”.
Do alto do sentido prático os meus três anos, pensei: “Vai ter de fechar a porta, senão voa e foge. Mesmo assim…”
Quando voltei ao prédio, elas não falavam de outra coisa.
“Tanta conversa por causa do piriquito do Pernadas”, estranhei eu.
Ao jantar, com o meu pai que chegara, nem um comentário.
Foi mesmo assim. Imensa conversa durante o dia, e à noite, parecia que não tinha acontecido nada.
Entenda-se lá as mulheres.