Baixas frequências, altas tensões e Cancro

Estou curioso de saber o que acontece à pressão osmótica quando o sistema está polarizado por um campo eléctrico muito intenso.

A pressão osmótica tem a ver com a distribuição de Maxwell-Bolltzman dos iões  da  substância (Sal, NaCl, por exemplo) no líquido. Grosso modo, o diferencial da estatistica dos choques dos iões Na e Cl nas faces da membrana está na origem do aparecimento de um diferencial de pressão entre as faces da membrana, a pressão osmótica.
Agora, se a distribuição for alterada pela acção de um campo eléctrico, como é que a pressão osmótica vai variar?

Os fenómenos osmóticos de transporte intercelular/intracelular são muito importantes para o metabolismo. Como é que eles se alteram no seio de um campo eléctrico? Com que consequências?

Se tivermos culturas puras de um microrganismo em placas de petri, e submetermos algumas delas a campos intensos, como se altera o padrão de crescimento da cultura?

Num organismo pluricelular, que distúrbios metabólicos serão induzidos? Que consequências para quem (con)vive com uma linha de alta tensão por perto?

Enfim, como sempre, é mais fácil fazer as perguntas do que encontrar as respostas…

The Pink Penguin – Iniciando 2007…

The pink penguin.
 

Dedicado ao Borges e à Ursula

 

A conversa tinha escapado ao meu controle, e tive de o admitir:

-Sim, é verdade! Vim à consulta para ver se o Sr. Dr. me impedia de dormir. É que eu não posso dormir. Se não, não sei o que pode acontecer.

– Isso é muito curioso. Não me quer dizer mais nada?

Pronto! Já estava. Mais outro que não queria acreditar em mim. Mais outro que não me percebia. Começavam com estas falinhas mansas e depois procuravam curar-me de doenças mentais obscuras, que só eles conheciam, ou piores que essas. Como explicar-lhes que não podia dormir? Como demonstrar-lhes que era um perigo para toda a gente se eu adormecesse novamente. Já tinha tentado tudo e mais alguma coisa. Mas que mais podia eu fazer?

De obscuro jovem esotérico tinha-me desenvolvido vertiginosamente. Calcorreei paisagens intelectuais desconhecidas de quase todos. Penetrei segredos virgens. Quanta emoção. Quanta alegria. Que prazeres intelectuais não fruí nessas vitórias antigas. Mas agora, que sufoco. Tinha de conviver com as felizes memórias desses remotos sucessos, e conciliá-las com as amargas responsabilidades das consequências das minhas íntimas descobertas. Tinha-me transformado num consumado heresiarca, perseguido por todas as divindades, concorrente com elas. Nada a minha origem. Tudo o meu destino. O fardo a criação.

Sonhar é criar, é alterar a realidade. Comuto sonhos. E a realidade presente é apenas um deles. Quando sonho, o sonho passa a realidade, e a realidade passa a eco longínquo, sonho componente do novo sonho, da nova realidade emergente. A realidade nasce dos sonhos e aos sonhos à de voltar. Como me meti nisto? Como isto me aconteceu?

Quando começou, foi sem querer. Apenas racionalizava a criação, a cosmogonia, o Big-Bang. Como apareceu o Universo? O que havia antes? É que antes do tempo não havia antes. A criação teve de ser um acto efémero de uma divindade eterna, O universo era apenas um efémero, consequente de um eterno. E mais nada! O peso cultural oprimia-me. Legiões de antepassados tinham procurado provas da existência do Deus, do Criador, do Garante da existência. O criador eterno. O eterno criador. Sempre a criar.

O segredo era o que todos sabíamos, mas não ligávamos. Que o futuro e o passado não existem, são apenas sonhos, memórias, ilusões. É sempre presente. Estamos sempre no presente. Estamos condenados a existir no presente. A criação é eterna. A criação é constante.

O mundo, tudo o que nele existe, todos os fósseis, todas as bibliotecas, todas as memórias, todo o universo, foi criado há um instante por uma divindade eterna, intemporal, omnipotente. Tudo o que penso, projecto, recordo, emana desse instante onde tudo acontece, aconteceu e acontecerá. É por isso que só existe presente. Esse é o primeiro segredo, que todos sentimos, todos sabemos, mas não ligamos.

O segundo deriva da racionalidade triunfante, que tudo explica. Se tudo é causado, se tudo é provocado, se tudo se articula de forma determinada, onde está a liberdade? Não pode existir, num universo completamente causal. Mas se um fenómeno, um evento, não é causado, como pode acontecer? Como emerge o espontâneo? Tem de ser criado a partir do nada! Mas isso não pode ser. Isso não é física. Isso é um dos atributos do divino. E quanto a nós, humanos? Será que é tudo uma fatalidade, pré destinada a acontecer? Ou será que podemos controlar o destino? Onde está o nosso livre arbítrio? Ou não existe, ou no mais profundo de nós têm que existir uma centelha do divino, pois de outra forma não poderíamos criar, decidir livremente.

Os segredos são estes. A criação é constante e eterna, e nós podemos participar. Estes são os mistérios que nos esperam quando se viaja até ao âmago.

 

Desenvolvi-me. Transformei-me num heresiarca, herege supremo para as tristes religiões que apenas conhecem a sua verdade. Mas aprofundei o meu domínio dos mistérios. Desenvolvi aptidões, conceitos, termos, linguagens novas. Não para comunicar com alguém, mas para controlar a criação. Escrevi as secretas equações onde aparece o f, a probabilidade de criação, a constante mais poderosa de toda a física, e que permite deduzir todas as outras, c, h, e0

E onde cheguei? Ao portal dos sonhos. O sonho comanda o desejo, e o desejo é a chave do querer, da vontade, do ser.

Sonhei que os pinguins já não eram cor-de-rosa, e pronto. Nunca houve pinguins cor de rosa. Sempre foram de outra cor. Como toda a gente sabe. Sonhei que as zebras tinham riscas, e quando acordei, sempre tinha sido assim, todas as bibliotecas, memórias, culturas, registos o provavam. Alterava a realidade. Deixei, como todos os outros, de apenas alterar a realidade em cada decisão, para passar a submetê-la aos meus sonhos. O universo é um dos meus sonhos. E enquanto mantive o equilíbrio onírico, a harmonia reinou. Tinha roubado o fogo aos deuses.

Mas fui-me cansando. E já não controlo o que sonho. Só acordando. Especialmente nos pesadelos. Ultimamente ando com pesadelos. Guerras, catástrofes, coisas horríveis. Mas acordo antes. Ou antes, acordava. Mas os pesadelos estão recorrentes, pegajosos, impossíveis de dissipar. Sonhei com Hitler, com toda uma guerra horrível. E não acordei. Ou antes, acordei tarde de mais, como sabem, se acreditam em mim, vocês que são um produto do meu delírio. Agora tenho medo de sonhar, de dormir. Quanto mais cansado, piores os pesadelos.

Outros sonham, outros poderes procuram dominar a realidade. Mas é o que eu sonho que se torna real. Mas eu não dirijo o que sonho. Apenas o padeço, quando não acordo a tempo de o evitar. Quem dirige os meus sonhos? Quem o faz? Quem me controla a mim, criador de realidades?

Outros, que sonham mais forte que eu? Outros, mais lúcidos que eu? Mas será que também eles sonham? Ou será que eles são apenas sonhos, ilusões minhas?

Isso já não interessa. Se não sonhar, tudo se evita. A angústia do que quero evitar dissipar-se-á. Estou possuído por um pesadelo recorrente, que não me abandona, que não posso ter. É a guerra. Vem aí, como uma chuva fraca e insidiosa que se transforma numa tempestade imparável. É como se todo os sonhadores se unissem para me fazer sonhar o que não quero, o que não desejo. Mas estou cansado. Tenho de ir dormir. Não sei o que acontecerá se não acordar a tempo.

Aqui fica um projecto de sonho. Sonhem-no para ganhar. Ou antes, vou procurar sonhar com ele, quando dentro do pesadelo sonhar que estou a sonhar.

É a Lua, estúpidos, a Lua! Sim, a Lua. Quem ganha a guerra é quem controla a mobilidade. Houve um tempo que era a pé. Quem não era detido, quem detia o outro, ganhava. Depois, tivemos a ajuda dos cavalos. Mas tudo cresceu. Os cavalos já não iam a todo o lado. Barcos, a mobilidade era a navegação. Mas essa época já lá vai. Agora é preciso controlar os céus. Quem os controla, não deixa ninguém mexer cá em baixo. As órbitas serão o próximo passo, engolido de imediato pela Lua. Quem controlar a Lua, controla as órbitas. Quem controlar as órbitas controla os céus. E quem controlar os céus ganha a guerra. Aquela que quer ser sonhada, mas que eu recuso.

Mas estou tão cansado….

 

 

Godbluff

Godbluff é o primeiro álbum da 2ª season (ah ah ah) dos VDGG. É um álbum com 4 temas extremamente bonitos, imaculados, verdadeiras pérolas. É por isso que prefiro o World Record: um diamante por lapidar, rough.

Pus-me a pensar: eu raramente oiço música quando estou a trabalhar, só costumo ouvir música no carro (onde tenho 3.000 horas de sons dos mais variados, desde música de dança a Jazz inaudível, de Beethoven a New Rockabilly). Então porque é que me deu na cabeça ouvir o Godbluff agora, a estas horas da noite?

Porque foi a música que levei para a Praia, há 23 anos atrás, num garrafão portátil, quando andava a tentar conquistar a minha Maria… e não era o único…

Desapareci pelo meio do promontório para ver se ela conseguia encontrar-me mas, em vão… ela bem me procurou enquanto eu me deliciava com os sons do Godbluff. E amanhã vamos para a Praia, mais os nossos quatro putos…

Não admira que os críticos o considerem o melhor álbum da 2ª formação dos VDGG… Não admira que para mim o World Record seja o melhor de todos.

Como dizia um grande amigo meu: “Life’s a beach”.
Só agora é que eu percebi que esta cerveja tem 9º de álcool.
Confused? Just search for an answer.

Arquitontos

Com o que vejo de arquitectura e com o que o alex me tem dito, qualquer dia um arquitonto qualquer projecta uma casa de banho numa àrvore, por cima de uma mesa de piquenique para que, quando os pássaros vierem às migalhas, lhes possamos cagar em cima.

Afinal é esse o derradeiro desejo da Humanidade!

Eheheh.

Jesus Christ Superstar II

Enquanto oiço práqui o Cristo a gemer e olho para a Maria Madalena, a cara dela lembra-me a minha primeira namorada, a primeira de carne e osso e de lábios carnudos e bem molhados…

Eu tinha quê? 8 ou 9 anos?
Chamava-se (e chama-se) Aires.

CURIOSAMENTE, a cara dela é a cara chapada da Yvonne Elliman (Maria Madalena)… Os olhos rasgados, a cara redonda e larga… Curioso.

Eis uma foto dela de 2000, já com 35 anos de trabalho no campo em cima.


Foto by myself

Desisto. Não consigo pôr a cara dela igual à da Yvonne Elliman no Photoshop.

Ahhhh! A andar para trás a esta velocidade, daqui a pouco estou de volta ao útero da minha mãe.
Freud! Que merda é esta? Isto é normal? Vamos discutir isto e fumar um charuto em conjunto?

Jesus Christ Superstar

Pus-me a ouvir o JCS e de repente veio-me à memória talvez a minha primeira paixão do cinema: Yvonne Elliman, a Maria Madalena – os sonhos eróticos de olhos abertos, que eu tive com ela…

Carl Anderson, o Judas, faz uma entrada fabulosa em “Heaven on Their Minds”. Uma voz incrível.

E pouco mais me lembro deste filme, de 73, que foi um evento charneira na cultura americana.