Robin dos Bosques Portuguese Style

Andava João Sem-Terra muito atarefado a manter-se no poder, quando as novas da Palestina o surpreenderam: “Olha que já não temos dinheirinho ó pá!”.

João Sem-Terra, que tinha acabado de carregar a ultima barrica de moedas que existia no armazém, abespinhou-se contra os Cruzados e disse ao Xerife de Notingão: “Porra pá! Já não têm dinheiro? @#£&-§$!! Põe-me esses gajos na ordem pá!”

O Xerife de Nótingão veio logo dizer que os Cruzados da Palestina tinham que se pôr a pau senão ele deixava-os à mercê dos infieis. Esqueceu-se foi que ao longo do anos tinham deixado que os Cruzados, durante as campanhas, se aproveitassem não só das massitas que eram enviadas de Nótingão como ainda ficavam com a maior parte do que obtinham com as pilhagens. E disseram logo: “Ó Xerife, vê lá se não queres é c’agente se vá embora!”.

O Xerife estremeceu e foi falar com João Sem-Terra:”Eh pá! Temos que nos pôr a pau com os Cruzados pá! Os tipos dizem que se vão embora pá!”. João Sem-Terra que entretanto tinha ido levar nas orelhas do Papa (“Atão onde foi parar a massaroca que o Vaticano mandou praí hein? Hmm??”) e que também estava farto de apanhar com as indirectas do Arcebispo de Nótingão (que, de há um tempo a esta parte, vinha mandando umas bocas durante as homilias dominicais), estava de semblante carregado.

“@#£&-§$!! Maisao %&€&@£#!!” disse chateado. O Xerife temeu pela sua cabeça (João Sem-Terra às vezes trucidava os mensageiros…). Recompondo-se disse: “Temos que pagar as prestações pá! Tens que desenrascar a massa pá! Isto vai ser um pratinho para o Robin dos Bosques e os seus Homens Alegres”.

Avizinhavam-se tempos terriveis. Os impostos sobre os servos da gleba e sobre os artesãos aumentaram. Passaram a ser considerados ricos todos os que conseguiam fazer três refeições completas (“Tendes de fazer dieta, estais anafados”, afirmavam os arautos do Xerife de Notingão).

O povo em pânico voltava-se para Robin dos Bosques que tinha sido carregado pelo Frei Tuca  através do deserto e chegara à liderança dos Homens Alegres. Todos esperavam uma luta encarnecida contra as medidas de João Sem-Terra e do seu Xerife.

Só que Robin dos Bosques era de outra cepa e dizia “Só isso? É rico é quem comer duas refeições por dia!” e Frei Tuca por trás aplaudia e apoiava. E tomava-se de amizades com Lord Marião que achava que uma refeição já era demais e que o mal era dos malandros dos servos da gleba que não trabalhavam. E lançaram a confusão fazendo com que o servos da gleba e artesões se passassem a olhar de soslaio e se esquecessem dos Cruzados e a crise da Palestina.

Sim, porque na realidade o Robin dos Bosques (e o Frei Tuca e o Lorde Marião) tinham amigos entre Cruzados (mais ou menos metade deles) e precisavam da ajuda desses Cruzados na luta contra o João Sem-Terra.

Os restantes Homens Alegres, o Pequeno João e o Vil Escarlate ficavam de fora destas discussões e só de vez em quando eram ouvidos. Nas homilias domingueiras o Arcebispo de Notingão continuava a apelar ao povo (os servos da gleba e aos artesãos) para uma vida de pobreza. Robin dos Bosques esse ia dizendo que pobre só não chegava.

As reuniões entre João Sem-Terra e Robin dos Bosques sucediam-se. As trapalhadas e os atropelos também. As leis fundamentais do Reino passaram a servir de calço para uma estante lá na igreja de Notingão. Tudo com a benção do Arcebispo de Notingão (e do Papa lá longe), e com a propaganda cerrada dos arauto dos Cruzados amigos de Robin dos Bosques (e de João Sem-Terra).

Felizmente apareceu o campeonato de tiro ao arco. Durante um mês tudo ficou adormecido. O povo, adormecido, não ouve Xerife de Notingão começar falar em taxar todos os que conseguem guardar meia carcaça.

Esperam-se novidades agora que a Selecção de Notingão foi eliminda.

Banda sonora:

Governo Encontra Caminhos de Saída para a Crise

O comité de acompanhamento da Crise que agrupa elementos do Governo e do Partido do Assessor tem vindo a tentar encontrar formas de ultrapassar a prazo a crise que grassa na nação. Uma das soluções preconizadas será a do Estado poder vir a entrar no negócio das tabernas e bares de vinho, para fazer face à crise.

Encontrado que foi o fornecedor, as nova tabernas terão design a condizer,

 atendimento especializado levado a cabo por empregados bem formados,

Esperando-se também a recuperação do tradicional copito de vinho:

A Confederação Nacional das Tabernas e Bares Afins (CNTBA) já emitiu um comunicado de protesto contra o que diz ser uma intromissão do Estado numa actividade económica para a qual não tem preparação, “excepto como consumidores”. Diz ainda que legalmente o Estado não pode abrir tabernas sem o aval da CNTBA.

O Presidente da Ordem dos Taberneiros, no entanto congratula-se com a medida, visto permitir aumentar o grau de empregabilidade dos profissionais desta área.

Ordenado penhorado

Para aqueles que me costumam pedir dinheiro emprestado, saibam que a mama acabou, pois tenho o ordenado penhorado…

… o que até vem a calhar, porque assim pago as dívidas e os mamões vão beber a outro lado.

Neste momento estou a receber a duodécimos e apenas sob apresentação de facturas visadas pelo Tribunal de Contas. Nada daquilo que me pertence é meu e mesmo quando cuspo para o chão, lá está o zeloso funcionário do fisco a apanhar, com uma rede de borboletas, a parte que lhes cabe.

E, apesar de tudo, até são uns gajos porreiros pois, ainda que algemado, deixaram-me a mão direita livre para agarrar na pila enquanto mijo, para não sujar a sanita, o que são menos uns euros em duodécimos no fim do mês em detergentes.

Até breve, para mais histórias da crise…